segunda-feira, 25 de abril de 2016

Pedagogia da esperança: a amorosidade e a dialogia necessárias


Adilson Marques - doutor em Educação pela USP, pós-doutorando em Educação e professor visitante na UFSCar
"Hoje não há razões para otimismo.
Hoje só é possível ter esperança.
Esperança é o oposto do otimismo.
Otimismo é quando, sendo primavera do lado de fora, nasce a primavera do lado de dentro.
Esperança é quando, sendo seca absoluta do lado de fora, continuam as fontes a borbulhar dentro do coração.
Camus sabia o que era esperança. São suas as palavras: "e no meio do inverno eu descobri que dentro de mim havia um verão invencível".
Otimismo é alegria "por causa de": coisa humana, natural.
Esperança é alegria "a despeito de": coisa divina. 
O otimismo tem suas raízes no tempo.
A esperança tem suas raízes na eternidade. 
O otimismo se alimenta de grandes coisas. Sem elas, ele morre.
A esperança se alimenta de pequenas coisas. Nas pequenas coisas ela floresce. Basta-lhe um morango à beira do abismo.
Hoje, é tudo o que temos: morangos à beira do abismo, alegrias sem razões. A possibilidade da esperança" (Rubens Alves)  

Paulo Freire (1921-1997) apesar do discurso carismático que possuía e de ser frequentemente  venerado por muitos educadores, também foi alvo de severas críticas, sendo acusado tanto de "elitista" como de "populista". Os marxistas criticam sua obra por não afirmar necessariamente que a "luta de classes é o motor da história". Por outro lado, o movimento anti-marxista o critica por fazer "doutrinação comunista", imputando a Paulo Freire a culpa pela falência da educação brasileira, afirmando que o seu método de alfabetização de jovens e adultos seria o responsável pelo alto índice de analfabetismo funcional no país e também de plágio, pois teria se apropriado do método Laubach, sem citar as necessárias fonte. Estas e outras críticas podem ser facilmente encontradas na internet, em sites e blogs que procuram criticar Paulo Freire, sua obra e seu pensamento.
Um dos livros mais comentados, e não necessariamente lidos, é Pedagogia do Oprimido, cuja primeira edição ocorreu em 1970, registrando as experiências de Paulo Freire no Brasil, no Chile e na Europa, além de apresentar as primeiras sistematizações de sua teoria sobre educação popular. Em 1992, porém, publicou a primeira edição de Pedagogia da Esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido, livro no qual expõe uma reflexão autobiográfica e memorialista, ao mesmo tempo crítica e compreensiva, revisitando seus conceitos, pontos de vista e experiências políticas e educativas vivenciadas a partir da década de 1940 e que foram fundamentais para a escrita do livro Pedagogia do Oprimido. Esta revisão tem por base as experiências durante o período de redemocratização do país, com fatos marcantes como o impeachment do presidente Collor e sua passagem como secretário de educação em São Paulo (1989-1991).
Como um ser neótono neg-entrópico, ou seja, aberto para o mundo, lúdico-explorador e permanentemente incompleto e inacabado, Paulo Freire faz uma autocrítica, expondo como superou a linguagem machista do livro anterior, e respondendo a várias das críticas normalmente endereçadas ao seu trabalho.
As críticas recentes à Paulo Freire (a partir de 2012), expostas na internet através de sites e blogs estão associadas diretamente à guinada "conservadora" verificada no Brasil, que tem o partido dos trabalhadores (PT) e todas as pessoas relacionadas a ele, como o bode expiatório do momento, os culpados pela crise política, econômica, social e moral brasileira. E Paulo Freire, apesar de sempre se posicionar contra qualquer forma de autoritarismo ou doutrinação, de esquerda ou de direita, acabou sendo envolvido por tais críticas, quase todas superficiais e facilmente refutadas, como se pode compreender pela leitura do livro Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido.
Não de forma saudosista, o livro transita pelo contexto em que o livro Pedagogia do oprimido foi escrito, apresentando constantes reavaliações de pontos de vista através de um diálogo entre dois momentos históricos separados por quase 30 anos. Mais do que um estudo comparativo desses dois momentos, o livro expõe o amadurecimento pessoal, político e também como educador de Paulo Freire, mas mantendo um ponto central inabalável: o devotamento à tolerância, a marca profunda de sua vida e pensamento.
Curiosamente, hoje, em 2016, ao lermos o livro Pedagogia da esperança, não parece que já se passaram 24 anos de sua primeira edição. Os fatos políticos atuais lembram muito os de 1992 e também os da década de 1960. E se em 1992 acontecia o impeachment de Collor, hoje vivenciamos o da presidente Dilma. A corrupção, presente na ditadura militar, na década de 1990 e ainda hoje, continua a manchar e a caracterizar a vida pública no Brasil, nos governos de direita ou de esquerda. Os extremismos políticos  voltam a ganhar força diante de mais uma crise econômica e moral, na qual políticos investigados por corrupção tentam cassar uma presidente que supostamente cometeu um crime de responsabilidade fiscal que, até recentemente, era prática administrativa reconhecida pelo Tribunal de Contas da União (TCU), sendo utilizada por presidentes que a antecederam.
Com a crescente intolerância por quem pensa diferente, seja na religião, na política e até mesmo no futebol, nossa frágil democracia parece não ser capaz de se sustentar, deixando pouca margem de atuação para quem se propõe a refletir sobre sonho e utopia, as "armas" que Paulo Freire nos apresenta, envolto em esperança e crença na possibilidade das mudanças pelas quais ele sempre defendeu: a amorosidade nas relações e o diálogo fratriarcal entre todos, respeitando as diferenças. Mas, se está difícil ser otimista, nos resta a esperança que Paulo Freire pensava e a vivenciava como um imperativo existencial e histórico.
E nesse reencontro existencial com a Pedagogia do Oprimido, Paulo Freire relata duas experiências fundamentais para o nascimento de sua teoria e método:
A primeira foi a fala de um operário, na década de 1960 (que não iremos aqui reproduzir, mas que se encontra presente no texto supracitado),.após fazer uma palestra para pais de alunos do SESI, onde trabalhava, abordando o tema da autoridade e da liberdade, enfatizando a questão dos castigos e prêmios na educação. Essa fala foi de fundamental importância para que ele passasse a respeitar a vida concreta das pessoas. Paulo Freire afirma ter jamais esquecido tal fala e que foi sua esposa Elza que o fez compreender a necessidade de entender as pessoas e não apenas ser entendido por elas. Sobre essa questão, ele nos narra:

Nas idas e vindas da fala, na sintaxe operária, na prosódia, nos movimentos do corpo, nas mãos do orador, nas metáforas tão comuns ao discurso popular, ele chamava a atenção do educador ali em frente, sentado, calado, se afundando em sua cadeira, para a necessidade de que, ao fazer o seu discurso ao povo, o educador esteja a par da compreensão do mundo que o povo esteja tendo. Compreensão do mundo que, condicionada pela realidade concreta que em parte a explica, pode começar a mudar através da mudança do concreto. Mais ainda, compreensão do mundo que pode começar a mudar no momento mesmo em que o desvelamento da realidade concreta vai deixando expostas as razões de ser da própria compreensão tida até então.
A mudança da compreensão, de importância fundamental, não significa, porém, ainda, a mudança do concreto.
O fato de jamais haver esquecido a trama em que se deu aquele discurso é significativo. O discurso daquela noite longínqua se vem pondo diante de mim como se fosse um texto escrito, um ensaio que eu devesse constantemente revisitar. Na verdade, ele foi o ponto culminante no aprendizado há muito iniciado – o de que o educador ou a educadora progressista, ainda quando, às vezes, tenha de falar ao povo, deve ir transformando o ao em com o povo. E isso implica o respeito ao "saber de experiência feito” de que sempre falo, somente a partir do qual é possível superá-la. (p. 14)
Essa abertura compreensiva ao outro, respeitando seus pontos de vista, saberes e experiências foi de tal forma interiorizado que passou a ser a essência do trabalho pedagógico proposto por Paulo Freire, que, ao invés de doutrinar ou passar conteúdos, visa valorizar a amorosidade e a dialogia na relação pedagógica.
E essa fala tão paradigmática desse operário se juntou ao sofrimento vivenciado entre os 22 e 29 anos de idade. A superação desse sofrimento existencial se deu quando conseguiu se "distanciar" do problema e meditar sobre o mesmo. Paulo Freire afirma a esse respeito:
Quando o mal-estar era pressentido, eu procurava ver o que havia em torno de mim, procurava roer e relembrar o que ocorrera no dia anterior. Reescutar o que dissera e a quem dissera, o que ouvira e de quem ouvira. Em última análise, comecei a tomar meu mal-estar como objeto de minha curiosidade. "Tornava distância” dele para apreender sua razão de ser. Eu precisava, no fundo, de iluminar a trama em que ele se gerava. (p. 15)

Este sofrimento só foi superado, conta Paulo Freire, após fazer uma "arqueologia" da dor que sentia, voltando ao passado, a Jaboatão, onde nasceu, e reviver sua infância e a morte do pai. Posteriormente, essa superação do sofrimento foi importante também para compreender o problema vivido por muitos exilados que conheceu:
Na verdade, um dos sérios problemas do exilado ou exilada está em como lidar, de corpo inteiro, com sentimentos, desejos, razão, recordação, conhecimentos acumulados, visões do mundo, com a tensão entre o hoje sendo vivido na realidade de empréstimo e o ontem, no seu contexto de origem, de que chegou carregado de marcas fundamentais. No fundo, como preservar sua identidade na relação entre a ocupação indispensável no novo contexto e a pré-ocupação em que o de origem deve constituir-se. Como lidar com a saudade sem permitir que ela vire nostalgia. Como inventar novas formas de viver e de conviver numa cotidianidade estranha, superando assim ou reorientando uma compreensível tendência do exilado ou da exilada de, não podendo deixar de tomar, pelo menos por largo tempo, seu contexto de origem como referência, considerá-la sempre melhor do que o de empréstimo. Às vezes, é melhor mesmo, mas nem sempre o é. (p. 17)

Essa relação entre o Eu e o Outro, tão cara ao discurso fenomenológico e existencial, marca profundamente também o discurso político e pedagógico de Paulo Freire, afastando-o de todo fatalismo, seja o conservador ("Deus quer que seja assim e não se pode fazer nada") ou o de esquerda ("o socialismo é inexorável e vai acontecer, não precisamos fazer nada"). A violência verificada em Pernambuco, tanto em Recife, como no Agreste e também na suposta "liberdade" vivida pelos caiçaras, levou Paulo Freire a compreender que a educação é subjugada pela sociedade global e, a partir dessa perspectiva,  propõe uma pedagogia que não se vincula nem ao voluntarismo de setores da esquerda e nem fica refém do objetivismo mecanicista das pedagogias conservadoras. Enquanto a primeira é uma espécie de "idealismo brigão" e a segunda uma "negação da subjetividade", a proposta de Paulo Freire procura nem atribuir à educação um poder que ela não tem e nem negar qualquer poder a ela. Podemos notar que, a todo momento, Paulo Freire procura fugir de todo e qualquer reducionismo dicotomizador. A mesma lógica aparece quando discute as relações autoridade-liberdade. Para Paulo Freire, ao negar à liberdade o direito de afirmar-se, exacerbamos a autoridade, mas, atrofiando esta, hipertrofiar aquela. Em suma, os dois extremos podem levar à tirania da liberdade ou à tirania da autoridade, ambas nocivas à incipiente e constantemente ameaçada democracia brasileira.
E, ao contrário do que muitos de seus críticos afirmam, a proposta de educação popular proposta por Paulo Freire não foi abraçada por comunistas ou outros grupos de esquerda mais propensos à doutrinação do que à educação. Em 1982, Paulo Freire afirmava sobre a experiência que o levou a propor a pedagogia do oprimido:
Hoje, passados quase trinta anos, se percebe facilmente o que só alguns percebiam e já defendiam na época e eram às vezes considerados sonhadores, utópicos, idealistas, quando não “vendidos aos gringos”. Que só uma política radical, jamais, porém, sectária, buscando a unidade na diversidade das forças progressistas, poderia lutar por uma democracia capaz de fazer frente ao poder e à virulência da direita. Vivia-se, porém, a intolerância, a negação das diferenças. A tolerância não era o que deve ser: a virtude revolucionária que consiste na convivência com os diferentes para que se possa melhor lutar contra os antagônicos. (p. 20)
E, a partir de sua experiência com a educação popular no Chile, através dos "círculos de cultura", Paulo Freire expõe sua divergência com a pedagogia doutrinante, que alguns de seus críticos tentam imputar à sua obra, apontando o que chama de "equívocos" cometidos por intelectuais de esquerda que ignoram o papel da linguagem e que não escapam da "incontenção verbal":
uma das tarefas da educação democrática e popular, da Pedagogia da esperança – a de possibilitar nas classes populares o desenvolvimento de sua linguagem, jamais pelo blablablá autoritário e sectário dos “educadores”, de sua linguagem, que, emergindo da e voltando-se sobre sua realidade, perfile as conjecturas, os desenhos, as antecipações do mundo novo. Está aqui uma das questões centrais da educação popular – a da linguagem como caminho de invenção da cidadania. (p. 20)
A proposta de Paulo Freire de transformar o educando em um "sujeito cognoscente" e não como a "incidência do discurso do educador" é o que transforma o ato de ensinar em uma ação política emancipadora ou libertária que transcende o sectarismo e o fatalismo de esquerda, que tanto incomodava Freire, como nessa passagem elucidativa:

Na verdade, o clima preponderante entre as esquerdas era o do sectarismo que, ao mesmo tempo em que nega a história como possibilidade, gera e proclama uma espécie de “fatalismo libertador”. O socialismo chega necessariamente... por isso é que, se levarmos às últimas consequências a compreensão da história enquanto "fatalismo libertador”, prescindiremos da luta, do empenho para a criação do socialismo democrático, enquanto empreitada histórica. Somem, assim, a ética da luta e a boniteza da briga. Creio, mais do que creio estou convencido, de que nunca necessitamos tanto de posições radicais, no sentido em que entendo radicalidade na Pedagogia do oprimido, quanto hoje. Para superarmos, de um lado, os sectarismos fundados nas verdades universais e únicas; do outro, as acomodações "pragmáticas” aos fatos, como se eles tivessem virado imutáveis, tão ao gosto de posições modernas, os primeiros, e modernistas, as segundas, temos de ser pós-modernamente radicais e utópicos. (p. 27)

A partir da página 34 Paulo Freire começa a revisão do livro pedagogia do oprimido, apontando, entre outros problemas, a linguagem machista que o mesmo trazia, reconhecendo esse "erro" e buscando superá-lo. Mas também questiona a suposta difícil leitura do livro. Sua fala revela que ele não era adepto do estudo sem compromisso, como alguns de seus críticos afirmam. Na passagem abaixo, pode se notar sua enfática defesa do ato de estudar como algo que exige compromisso e dedicação:
Ler um texto é algo mais sério, mais demandante. Ler um texto não é "passear” licenciosamente, pachorrentamente, sobre as palavras. É apreender como se dão às relações entre as palavras na composição do discurso. É tarefa de sujeito crítico, humilde, determinado.
Ler, enquanto estudo, é um processo difícil, até penoso, às vezes, mas sempre prazeroso também. Implica que o(a) leitor(a) se adentre na intimidade do texto para apreender sua mais profunda significação. Quanto mais fazemos este exercício disciplinadamente, vencendo todo desejo de fuga da leitura, tanto mais nos preparamos para tornar futuras leituras menos difíceis.
Ler um texto, sobretudo, exige de quem o faz, estar convencido de que as ideologias não morreram. Por isso mesmo, a de que o texto se acha empapado ou, às vezes nele se acha escondida, não é necessariamente, a de quem vai lê-lo. Daí a necessidade que tem o leitor ou a leitora de uma postura aberta e crítica, radical e não sectária, sem a qual se fecha ao texto e se proíbe de com ele aprender algo porque o texto talvez defenda posições antagônicas às do(a) leitor(a). Às vezes, o que é irônico, as posições são apenas diferentes.
Em muitos casos nem sequer temos lido a autora ou o autor. Temos lido sobre ela ou ele e, sem a ela ou a ele ir, aceitamos as críticas que lhe são feitas. Assumimo-las como nossas. (p. 40)
Para encerrar esta primeira reflexão sobre a atualidade da proposta de Paulo Freire e do equívoco da crítica que tenta impor a Paulo Freire a culpa por uma educação doutrinante ou alienante, podemos citar duas frases exemplares que demonstram que ele apesar de sonhador e progressista, não aceitava o mundo iconoclástico e pasteurizado proposto pelos autoritários de "direita" ou de "esquerda":
O que se exige eticamente de educadoras e educadores progressistas é que, coerentes com seu sonho democrático, respeitem os educandos e jamais, por isso mesmo, os manipulem. (p. 42)


Criticar a arrogância, o autoritarismo de intelectuais de esquerda ou de direita, no fundo, da mesma forma reacionários, que se julgam proprietários, os primeiros, do saber revolucionário, os segundos, do saber conservador; criticar o comportamento de universitários que pretendem conscientizar trabalhadores rurais e urbanos sem com eles se conscientizar também; criticar um indisfarçável ar de messianismo, no fundo ingênuo, de intelectuais que, em nome da libertação das classes trabalhadoras, impõem ou buscam impor a “superioridade” de seu saber acadêmico às "incultas massas”, isto sempre fiz. E disto falei quase exaustivamente na Pedagogia do oprimido. E disto falo agora, com a mesma força, na Pedagogia da esperança. (p. 41)

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Um caso de regressão espontânea tratado com a apometria


Adilson Marques - asamar_sc@hotmail.com

No último sábado, ministrando um curso de Apometria, na cidade de São Carlos, em um determinado momento em que se discutia a questão da regressão de memória, lembrei-me de um atendimento que aconteceu, provavelmente, em 2007.
Estávamos realizando atendimentos quando chegou um casal trazendo uma menina de 12 anos que, em transe, ficava gritando: "Ana! me tira daqui! Ana! me tira daqui!"... tivemos que pedir aos demais consulentes para que permitissem que ela fosse atendida antes dos demais, devido à gravidade do caso. 
Naquela noite, quando a jovem chegou, uma médium estava incorporando um preto-velho e eu perguntei a ele se a menina estava obsediada. Ele disse que não, que ali era um caso de regressão espontânea de memória e me pediu para continuar o processo. Eu perguntei se deveria conduzir com as técnicas da Apometria e ele confirmou.
Com certo receio, cheguei perto da menina e perguntei: "Você pode me dizer onde você está?" E ela respondeu: "estou me afogando na represa."
E comecei a usar a apometria para ajudar no processo estabelecendo com ela um diálogo mais ou menos assim:

_ Eu vou dar um comando para tirar você dessa cena e para você me dizer o que acontece em seguida (e dei os pulsos energéticos).
_ Eu morri e estou sendo levada para um lugar muito bonito
_ Então você foi socorrida? não está mais sofrendo?
_ Não! agora está tudo bem... que lugar bonito...
_ Mas você não pode continuar aí, você precisa reencarnar... vou dar um comando para você acessar como foi sua preparação para o reencarne (e dei novamente os pulsos).
_ Eu preciso voltar, preciso reencarnar. E a Ana, que foi minha prima e que me levou até a represa porque queria me matar é que vai ser a minha mãe na nova encarnação.
_ E você a perdoou?
_ Sim, somos grandes amigas. Eu a perdoei.
_ Ótimo, isso que importa. Então agora eu vou dar um comando para você voltar para o presente, para o aqui e agora (e dei os pulsos).

Gradativamente a menina foi saindo do transe, foi abrindo seus olhos e "despertou" bem e feliz.
A mãe ficou emocionada com a história e abraçou a filha, pedindo perdão pelo que tinha acontecido no passado e que a amava muito.
Felizmente, a menina foi ajudada a resolver um problema espiritual. Se tivesse sido levada a um hospital, provavelmente seria sedada e quem sabe estaria internada em algum hospital psiquiátrico, sendo tratada como esquizofrênica.

São Carlos, 29 de fevereiro de 2016

sábado, 13 de fevereiro de 2016

um passeio por alguns dos principais santuários católicos nos arredores de Lisboa



Adilson Marques - asamar_sc@hotmail.com

Eu tenho um amigo espiritualista que diz se orgulhar de nunca ter entrado em uma igreja católica. Apesar de respeitar essa opinião, eu, ao contrário, tenho uma grande admiração pelas construções e me sinto agraciado pela energia que emanam. Talvez o fato de ter vivido uma possível encarnação como bispo, na virada do século XVII para o XVIII tenha alguma influência neste respeito e admiração que tenho pelos templos católicos, sobretudo, os franciscanos e os marianos.

Algumas pessoas dizem que sentem uma energia pesada nestes locais, principalmente os que foram construídos durante a Idade Média. Mas eu não sinto nada de negativo neles.

E aproveitando uma recente viagem para Lisboa, onde ministrei cursos de apometria e algumas palestras, aproveitei para conhecer um pouco destes "pontos de luz". E o início da jornada foi na bela cidade de Santarém, distante  80 km de Lisboa, onde residem cerca de 30 mil privilegiadas pessoas. Lá, visitei as ruínas do castelo de Santarém, hoje um parque público, e de onde se tem uma bela vista da cidade, e também o convento de São Francisco e a igreja gótica de Nossa Senhora da Graça (de Santo Agostinho) onde se encontram os restos mortais de Pedro Alvares Cabral.  A catedral estava fechada e não foi possível conhecer o seu interior, assim como outras igrejas, entre elas a de Santa Clara.  

convento de São Francisco, em Santarém.

Castelo de Santarém

Castelo de Santarém

Voltando para Lisboa, a segunda parada foi na cidade de Coruche, famosa pela exportação de cortiça, e localizada às margens do rio Sorraia, o que favorece a plantação de um saboroso arroz. Lá residem cerca de 5 mil pessoas. A igreja de Nossa Senhora do Castelo é um dos mais importantes santuários marianos de Portugal. Recebe esse nome por ter sido erguida em um local onde antigamente havia um castelo. E de lá se tem uma vista maravilhosa do rio Sorraia e das pontes em degradê que tornam mais bela a paisagem local. 

interior da Igreja de Nossa Senhora do Castelo




vista de Coruche e das pontes pintadas em degradê
igreja Nossa Senhora do Castelo


No dia em que lá estive, a igreja estava fechada, mas uma senhora simpática que podava as roseiras abriu a porta para que eu conhecesse a igreja por dentro.

Continuando o passeio, e voltando por Almada, uma cidade que fica do outro lado do rio Tejo, uma parada obrigatória é em Sesimbra. Lá se localiza o cabo Espichel, o castelo de Sesimbra e o santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel. 
cabo Espichel, em Sesimbra

Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel.

castelo em Sesimbra

Como fazia muito frio, não dava coragem de visitar a praia do Meco, onde se pratica o naturismo. Fica para uma visita durante o verão.

E encerrando o passeio, na bela cidade de Almada, onde me encantei com o transporte coletivo, não há como não visitar o santuário nacional do Cristo Rei de onde se tem uma bela imagem do Rio Tejo e de Lisboa. 
Santuário de Cristo Rei, em Almada

E de Almada para Lisboa, basta atravessar a ponte.
ponte que liga Almada à Lisboa
Se a pessoa estiver de carro, este passeio pode ser feito em um dia e outros locais podem ser também visitados. Mas uma coisa é fato: vai voltar com a alma resplandecente pela energia mariana da região e de outros santos.

mapa com um possível roteiro para se fazer o passeio acima

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Programa Homospiritualis em Lisboa

O Programa Homospiritualis foi criado em 1999 para difundir a Cultura de Paz. A partir de 2003, através do intercâmbio mediúnico, realizou um importante trabalho chamado Cultura de Paz e Mediunidade, que resultou na edição de vários livros, muitos utilizando o que chamamos de espiritologia, ou seja, o uso das técnicas da História Oral para se entrevistar supostos Espíritos.
Entre os dias 26 de janeiro e 09 de fevereiro, o Programa Homospiritualis foi apresentado em Lisboa, com uma série de palestras e um curso de Apometria. Com o apoio de dois centros de Umbanda (terreiro de umbanda sagrada Luz de Aruanda e Terreiro de Ogum Rompe Mato), o curso capacitou 40 pessoas para atuar com a técnica criada pelo dr. Lacerda, em meados do século XX, no Rio Grande do Sul.
Além do curso de Apometria, foram lançados na capital portuguesa os CDs do projeto Meditações Integrativas, e os cadernos Animagogia e Terapia Vibracional Integrativa. As palestras abordaram vários assuntos, entre eles, o estudo termográfico de diferentes práticas integrativas, como a meditação e as práticas de imposição das mãos.
E já está definida a data de um novo encontro em Lisboa: de 15 a 19 de maio. Em breve será divulgada a programação.
curso de Apometria, onde quatro grupos foram organizados para praticar as técnicas 


imagem termográfica de uma mulher durante a meditação

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

De volta ao passado


Adilson Marques - asamar_sc@hotmail.com

De 2009 a 2015, obtive várias informações que sugerem uma hipótese reencarnacionista: a de que eu vivenciei a personalidade do bispo Jean Batiste Louis Gaston de Nailles (1669-1720), na França, entre meados do século XVII. Como em um "jogo do tesouro", no qual as pistas vão sendo fornecidas gradativamente, em vários centros espiritualistas onde fiz palestras ou cursos, alguém me passava uma "pista". Somadas a essas revelações mediúnicas, através de regressão de memória em pessoas que supostamente conviveram com o bispo, foi possível chegar até a figura de Jean Batiste Louis Gaston de Nailles (1669-1720).
A primeira informação foi passada por um espírito que se manifestava como Dr. Felipe. Ele me disse que eu vinha de várias encarnações como escritor e que nesta eu escreveria livros abordando temas como reencarnação, vida após a morte, mediunidade etc., não necessariamente espiritistas. E quando lancei o meu primeiro livro (educação após a morte: princípios de animagogia com seres incorpóreos), um espírito que se identificou como Bezerra de Menezes me disse: "você tem livro até no Vaticano". E eu entendi que ele se referia ao livro acima e perguntei: "e como ele chegou lá?" Compreendendo  minha dúvida, ele disse: "É um livro que você escreveu em vidas passadas. Ele se encontra dentro de uma caixa de vidro, lá no Vaticano. É um livro considerado proibido pela igreja católica, faz parte do index."
Isso me deixou curioso em saber que livro seria esse e qual o seu conteúdo para ser proibido. 
E a partir daí várias informações foram aparecendo e o nome daquela personalidade se revelando. Obviamente que tais informações são apenas indícios e suposições. Não tenho nada concreto e nem lembrança alguma daquela suposta experiência.
Mas procurando na internet sobre a vida e obra deste bipo, quase não há informação disponível. Porém, na biblioteca de Chalons, onde o mesmo exerceu seu bispado, há vários textos escritos por ele:

http://bmvr.chalons-en-champagne.net/in/faces/browse.xhtml?query=Jean+Baptiste+Louis+Gaston+de+Noailles&RechercheCatalogue=OK

Infelizmente, descobri que um historiador local  faleceu em 2008, e que poderia fornecer informações mais precisas sobre o bispo (o que não significa que ele não possa também por vias mediúnicas fazê-las) : 


Entre os livros deste historiador há um que pode ser revelador, pois talvez traga informações mais detalhadas sobre a história do Bispo: « Les évêques de Châlons des origines à 1789 », publicado em 1983.

Em 2014 eu tinha me programado para ir a França garimpar informações sobre o Bispo, mas uma surpresa agradável me impossibilitou de fazer a viagem: o nascimento do Gabriel, meu filho. Porém, graças a um convite para ministrar um curso em Lisboa, vou tirar 3 dias em fevereiro para conhecer a cidade de Chalons-en-Champagne e tentar levantar o máximo de informação sobre essa possível personalidade que posso ter vivenciado entre os séculos XVII e XVIII. 

Enfim, espero voltar com novas informações que ajudem a desvendar esse "tesouro". Mas, em último caso, mesmo não se tratando de uma reencarnação comprovada,terei material para escrever uma biografia desse bispo que  se insurgiu contra a bula papal Unigenitus que combatia o jansenismo na França, do papa Clemente XI. Possivelmente, suas manifestações contra a bula papal seja o motivo de seus textos estarem no index, os livros proibidos pela igreja católica.

São Carlos, 17 de janeiro de 2016 - dia de Santo Antão



 
 


domingo, 10 de janeiro de 2016

A relação entre a biosfera e a psicosfera



"o ar que vos cerca, impalpável como nós, carrega o caráter do vosso pensamento; o sopro que exalais, por assim dizer, é a página escrita de vossos pensamentos.; elas são lidas, comentadas pelos Espíritos que vos esbarram sem cessar; são as mensagens de uma telegrafia divina à qual nada escapa". Espírito J. Sanson in O céu e o inferno

                No livro o Céu e o Inferno, de Allan Kardec, encontramos uma infinidade de depoimentos de Espíritos, ou seja, de seres incorpóreos, abordando vários assuntos. Na epígrafe deste artigo, citamos uma passagem do depoimento do Espírito J. Sanson. Nele consta um aspecto importante sobre os pensamentos: eles estão acessíveis à "leitura". E isto ocorre porque a Biosfera, a dimensão física em que habitamos, é envolvida por uma outra dimensão que vamos chamar de Psicosfera. Não se trata do mundo espiritual, propriamente dito, mas o mundo dos pensamentos e das emoções. Se para os Espíritos o acesso as informações que lá se encontram é mais direta, nós, os encarnados, podemos de alguma forma acessá-las através do fenômeno que costuma ser chamado de "captação psíquica", e que é a base fundamental de técnicas como a Apometria, criada no Brasil pelo médico José Lacerda, e a Constelação familiar, de Bert Herling. Na Psicosfera vibra nosso perispírito (espiritismo)ou corpo astral (teosofia) e é ela que forma o "campo mórfico" de Sheldrake.
                As pessoas chamadas de sensitivas são as mais adequadas para fazer "captação psíquica", desde que aprendam a lidar com esse potencial psíquico e aprendam a trabalhar com símbolos e controlem a imaginação, uma vez que, muitas informações captadas podem ser distorcidas ou exageradas por uma imaginação fértil. Por exemplo, o sensitivo "vê" em volta de alguém nove crianças e diz: "estou vendo que você terá nove filhos". Se o consulente vive em uma sociedade onde é comum ainda ter tantos filhos, pode ser que a informação seja correta, mas no mundo contemporâneo onde sustentar mais de uma criança é uma aventura heroica, é preciso tomar cuidado. Não discutimos que a pessoa tenha, de fato, "visto" e contado nove crianças, mas tal informação pode ter vários significados.
                Enfim, todos nós estamos imersos em um oceano de ondas mentais e precisamos aprender a lidar com elas, para o nosso bem-estar e paz interior, e também usando um termo da moda, prosperidade. Enfim, atrair e se relacionar com as vibrações favoráveis ou positivas.
                Tais vibrações, porém, não tem nenhuma relação com aquelas que a física estuda e chama de quantum. A física quântica estuda o interior do átomo e não as vibrações dos pensamentos e das emoções. Jung chamou estas últimas de "energias psíquicas" e soube bem diferenciá-las das "energias físicas". Enfim, para evitar confusões, vamos chamar essas vibrações de qualitum e compreender como elas influenciam em nossa vida.
                Se você espera encontrar aqui informações bombásticas como a de um ser "ascencionado" que afirma podermos mudar de sexo com a força do pensamento, sinto dizer, mas vai ficar decepcionado. E nem projetamos mentalmente a "realidade exterior", como afirma o pensamento solipsista, como se cada um dos 7 bilhões de pessoas criasse um "mundo particular". Vivemos em um único mundo e o apreendemos de forma distinta, daí a importância de sabermos lidar com a intersubjetividade e com as energias psíquicas (qualitum). E um bom manual para isso é o livro Sinal Verde, do Espírito André Luiz, psicografado por Chico Xavier. Ele traz dicas importantes e simples para fazer ao acordar, ao fazer uma saudação, ao dialogar com outra pessoa etc.
                A harmonia da Psicosfera pessoal reflete na Biosfera, obviamente, alterando nossa vida cotidiana. Mas de que forma? trazendo mais confiança, dedicação, abertura e respeito ao Outro, ao meio ambiente e a si mesmo, ajudando a criar relações sociais mais justas e menos egoísmo, sendo menos crítico e mais compreensível etc. E, através do trabalho, da ação, da práxis, é possível transformar o mundo exterior, criando um cenário mais agradável do ponto de vista estético, ambientalmente sustentável e de acolhimento da diferença.
                Em suma, a Psicosfera tem uma participação importante em nossa vida, é nela que se formam as mentalidades históricas, sociais ou de grupos étnicos e como cada um demonstra e vivencia suas representações sociais. Podemos dizer que ela representa a ambiência enquanto a Biosfera representa o ambiente. Um ambiente destruído,poluído, corrupto etc., reflete uma ambiência de mesma qualidade.A mudança interna reflete na mudança externa. Mas não basta apenas pensar. O pensamento deve ser visto como o motor da ação, da práxis. É essa que transforma o mundo exterior.
São Carlos, 10 de janeiro de 2016 - dia de Santo Aldo, ermitão que dedicava horas à oração e à contemplação da vida simples. É considerado o "padroeiro dos trabalhadores".

Programa Homospiritualis será apresentado em Lisboa



Criado em setembro de 1999 para difundir a cultura de paz e valorizar a tolerância e a diversidade religiosa na cidade de São Carlos, o Programa Homospiritualis, desde 2003 mantido pela ONG Círculo de São Francisco, será apresentado durante os dias 28 de janeiro e 8 de fevereiro, na cidade de Lisboa.
A convite dos trabalhadores do Terreiro de Umbanda Sagrada Luz de Aruanda, o Programa Homospiritualis realizará um curso de capacitação em Apometria e tratamentos vibracionais e um ciclo de palestras.
A programação será a seguinte:
Curso Apometria e Terapia Vibracional (carga-horária 12 horas)
primeiro encontro
técnicas de meditação integrativa
roda de conversa: a umbanda segundo pai Joaquim de Aruanda
aula: a história da apometria e suas leis
segundo encontro
técnicas de meditação integrativa
 roda de conversa: a animagogia e o despertar do homo spiritualis
aula: as enfermidades tratadas pela apometria
terceiro encontro técnicas de meditação integrativa
roda de conversa: mediunidade e imaginário (o mito do espiritismo, da umbanda e da apometria)
aula: as técnicas da apometria
quarto encontro
técnicas de meditação integrativa
roda de conversa: cultura de paz e mediunidade
aula: a apometria na prática

Além do curso, o Programa Homospiritualis apresentará o ciclo de palestras "Ciências das Religiões, Saúde e Espiritualidade", com os seguintes temas:
1 - A animagogia e a espiritologia como heurísticas para as ciências das religiões
2 - Mediunidade em pessoas idosas e a meditação integrativa no tratamento das perturbações psíquicas

Os eventos serão no Terreiro de Umbanda Sagrada Luz de Aruanda e na escola LanguageCraft